INTERFACES DA RESILIÊNCIA PARA A SAÚDE HUMANA

INTERFACES DA RESILIÊNCIA PARA A SAÚDE HUMANA

INTRODUÇÃO

Uma compreensão melhor do tema resiliência pode trazer benefícios a todas as pessoas em seu dia a dia, quer seja no trabalho, fora de sua casa ou dentro dela onde, geralmente, está em sua zona de conforto.

Uma situação inesperada e cheia de questões que exigem decisões não escolhe lugar nem hora para acontecer. Conhecer os mistérios de como é ser resiliente significa se descobrir humano em toda sua essência, pois como humanos podemos ter a capacidade de estar íntegros em meio a uma crise por mais densa que ela seja.

Afinal, somos a imagem e semelhança do nosso Criador! Eu tenho essa crença e isso me fortalece. No decorrer da sua leitura você entenderá porque falo isso. Este e-book está tendo para mim um grande significado, pois fará parte do conteúdo de um livro futuro da mesma temática.

ORIGEM DO TERMO RESILIÊNCIA

A origem do conceito de resiliência está associada à Física e à Engenharia.

Em 1807, Thomas Young, cientista inglês, realizava experimentos buscando entender a relação entre a força aplicada a um corpo e a deformação produzida por esta força.

Dessa forma, resiliência foi conceituada na Engenharia como a energia de deformação máxima que um material é capaz de armazenar sem sofrer deformação permanente, ou seja, a capacidade que um corpo possui para recuperar sua forma original depois de suportar uma pressão.

Segundo Oliveira ET Al “a resiliência surge como um constructo que aponta para um novo modelo de se compreender o desenvolvimento humano pela dimensão da saúde e não da doença”.

Na Psicologia, resiliência é compreendida como um atributo singular do indivíduo adquirida a partir dos primeiros anos de sua vida.

Ser resiliente (resiliar) é recuperar-se, seguir em frente, é não esmorecer depois de enfrentar uma crise, de sofrer danos físicos ou morais, de passar por uma grande decepção, entre tantas outras intercorrências que podem desequilibrar o estado emocional e, muitas vezes, alterando o estado físico ou mental.

Em outras palavras, ser resiliente é vivenciar e passar pelas provas, pelas batalhas, e pelas frustrações da vida permanecendo nelas o menor tempo possível, e ainda, aproveitando o momento para o crescimento pessoal ou profissional.

Podemos entender resiliência como a capacidade humana universal para lidar com as crises visando superá-las, aprendendo, significando e mesmo se transformando com adversidades evitáveis ou inevitáveis, isto porque ser resiliente implica em reconstruir, em continuar a projetar-se no futuro e apesar dos acontecimentos desestabilizadores, sair fortalecido e transformado.

Você já se imaginou ser assim resiliente? Não? Mas pode imaginar agora! Tempo…

Deixo três dicas pra começar a exercitar a resiliência.

1 – “Conheça-te a ti mesmo”.

Exercite o autoconhecimento. Você não é estático nos seus pensamentos,
emoções, dificuldades, habilidades.

2- Cuide de si mesmo.

Cuidar-se é essencial na vida de todas as pessoas o que implica em ter boa alimentação, boas noites de sono, viver com otimismo cultivando pensamentos positivos, ter um planejamento de tarefas diárias sendo flexível a alterações necessárias, não sobrecarregar-se com tarefas, rotineiramente, entre outras condutas.

3- “O homem é um ser Social”

Tenha bom relacionamento com sua família, amigos, vizinhos, por ultimo não menos importante, mantenha bom relacionamento com sua equipe de trabalho. Uma rede confiável, colaborativa no relacionamento, ajuda, sobremaneira, a conquistar e manter a resiliência!

SERÁ ELA UM RECURSO INATO?

Após muito tempo de pesquisa e estudo ficou claro que a resiliência é adquirida respeitando as particularidades de cada pessoa, através da interação crescente que fazemos com nossos pais, familiares e a sociedade.

Duas premissas básicas:

1º- Todo ser humano tem capacidade para ser resiliente em maior ou menor grau.
2º- Todo ser humano tem a capacidade de aumentar em si mesmo essa poderosa habilidade.

Charle Duhigg em seu livro O Poder do Hábito diz: “hábitos podem ser mudados, se entendermos como eles funcionam”.

Pesquisas, em diversas áreas vêm nos mostrando essa possibilidade como também as diferenças de uma pessoa para a outra, para a classificação de crise, sofrimento, dor, frustrações, entre outros parâmetros de entendimento pessoal, como por exemplo, os próprios valores, missão de vida, esquemas mentais. O mesmo acontecendo com o grau com que cada indivíduo se envolve nas situações, com entendimento singular, peculiar. O crescimento e formação da resiliência de uma pessoa está relacionada, em grau considerável, aos processos psicossociais vivenciados, que favorecem ou não o desenvolvimento sadio do indivíduo.

Emoção equilibrada significa estar longe de incorporar estresse.

Dentro da área da Saúde sob o ponto de vista prático/ profissional, ser resiliente é alcançar caminhos possíveis para manter equilíbrio emocional, e, consequentemente, saúde mental para si mesmo, equipe e obter desenvolvimento positivo no trabalho.

Segundo estudos publicados pela revista Psychological Science, o estresse é um dos grandes vilões à sensatez no momento de tomar decisões importantes. Isso se dá por que:

1. Quando estamos sob o estresse à visão de partes ou do todo fica prejudicada.
2. Ignoramos as vantagens e as desvantagens que as circunstâncias podem nos oferecer.
3. Agimos sob uma espécie de anestesia que nos priva da nossa própria capacidade de discernimento e tomada de decisões acertadas.

Estresse repetido com frequência pode ser mais nocivo do que aparenta ser.

Marinaldo M Guedes – Coach ao falar da resiliência e alto desempenho, salienta:

“… ele causa distúrbios nos sistemas muscular, vegetativo e mental. Ao atuar no sistema muscular, o estresse pode causar cansaço excessivo, tensão, dores pelo corpo e tremor nas pálpebras, por exemplo. Já no sistema vegetativo, ele se manifesta por meio de palpitações; dificuldades digestivas e intestinais; náuseas; dificuldade de respiração e transpiração abundante. Mentalmente, o estresse altera o humor de modo severo e provoca descontroles emocionais, distúrbios do sono, apatia, desânimo, dificuldade de tomar decisões e esgotamento físico e emocional”.

E como fazer para viver sem estresse? Você pode estar se perguntado…

Continuando com Marinaldo:

“Eliminar todo o estresse é praticamente impossível e igualmente nocivo já que ele é o grande motor da evolução da espécie humana. O estresse é a força que possibilita elevar performances e gerar crescimento”.

A grande questão é quando a pessoa apresenta níveis excessivos de estresse. Isso deve ser combatido, explicam as pesquisas.

Na saída do homem da caverna para o homo sapiens o estresse foi fundamental.

Ao sair do útero materno o feto passa por momentos estressantes e “decide” se unir ao trabalho de parto para vir à luz.

Cada pessoa é única na sua maneira de ser, de se comportar, de inter e intra- relacionarse.

Seu mundo é único e de acordo com os significados atribuídos a todas as coisas materiais e imateriais, das suas vivências reagem de maneiras diferentes aos fatores causadores de estresse.!

Cyrulmcik um célebre filosofo do sec. IXX diz: ”Resiliência se tece durante todo o ciclo vital”.

Essa definição da resiliência do Cyrulmick me reportou a algumas lembranças:

1. O iatista Lars Grael é um exemplo de uma pessoa resiliente. No auge da sua carreira repleta de conquistas, teve sua perna decepada pela hélice de um barco, em um trágico acidente em 1999.

Anos depois voltou a competir e ganhar medalhas. (rhportal.com.br).

2. Das mães que incansavelmente, dia após dia, falam em tom audível ou não aos filhos: Deus te abençoe, juízo, cuidado. (vidademãe)

3. As pessoas da área da saúde, lembrando da enfermagem, que incansavelmente trabalham frente à vida e a morte 24 horas por dia, ininterruptamente.

4. Nick Vujicic, nasceu vítima da síndrome de Tetra-Amélia demonstrou grande resiliência. Compreendeu, aceitou e foi em frente na sua vida. (Quando rascunhei este trabalho ainda não estava marcada sua visita ao Brasil. Agora está 08/10 em São Paulo).

Quatro exemplos de pessoas resilientes e que trazem no seu interior à paciência, a constância, a temperança, a coragem, a justiça, a observação e a análise do ambiente e dos fatos no presente e com visão no futuro, para o enfrentamento às intercorrências da própria vida pessoal ou profissional.

CONDIÇÕES PROTETORAS

Condições protetoras são mecanismos que o indivíduo dispõe internamente ou capta do seu meio ambiente para compreender o acontecimento ou a vivencia de cada momento na sua vida.

Fatores estudados, pesquisados e validados por Hunter e Cyrulnick, séc. IXX até 1970, sob a ótica da Psicologia Comportamental, trouxeram de uma forma profunda e elegante, pois é atrativa sua leitura, o que leva os indivíduos a terem RESILIÊNCIA em suas vidas, a saber:

O arsenal para a existência de forças, favoráveis ou desfavoráveis, frente às pressões do dia a dia chama-se CRENÇA.

CRENÇAS são os pensamentos consolidados na mente humana, anterior ao obstáculo a enfrentar, em geral, da infância a adolescência. Crenças estas, que regem de forma inconsciente às ações, atitudes, pensamentos e significados da vida daquela pessoa.

Crenças, esses esquemas mentais, podem alavancar coragem e força frente às situações adversas como trazer para fora medo, repulsa, raiva, por exemplo. Desta forma, conhecer e trabalhar as crenças existentes, com apoio psicológico de um profissional habilitado, pode fazer grande diferença na vida da pessoa transformando crenças limitantes em crenças fortalecedoras.

EXPERIÊNCIA NO INCÊNDIO DO EDIFÍCIO JOELMA – São Paulo-SP

1974

Eu estava no início da minha carreira como enfermeira, carreira esta, que exige desde o princípio o desenvolvimento de habilidades para ser resiliente. E lá fui eu…

Tendo sido designada para liderar a equipe de enfermagem, não tinha tempo nem chance de escolher se queria ou não.

Assim, vivenciei um complexo momento de dor e desespero, momento que exigiu de mim e de todos os profissionais da saúde e outros profissionais presentes, muita resiliência.

Foram doze horas resgatando, amenizando e apoiando pessoas com a vida por um fio, na real concepção da palavra.

Colei abaixo a postagem que fiz no 42º_ ano incêndio/Joelma. http://facebook.com/virtudesvivas – Fanpage: Alegria de VIVER
31 de janeiro ·
01/02/2016

Hoje faz 42 anos do incêndio que causou tamanha destruição e morte de tantas vidas no Edifício Joelma, no centro da cidade de São Paulo.

Procurei, mas não encontrei fotografias do trabalho da equipe de saúde e nela estava eu liderando e interagindo com a equipe de enfermagem em conjunto às demais equipes presentes!

Muito sofrimento, muito desespero, muitas ações profissionais e voluntárias na insistente batalha em salvar vidas! Vidas!

Eu estava presente de corpo e alma! O tempo todo. Procurei guardar em minha memória os momentos de cada aterrissagem do helicóptero, trazendo pacientes a serem cuidados. E muitos, muitos receberam! Esses tiveram a oportunidade de serem conduzidos aos centros de atendimento, hospitais e clínicas que prontamente, abriram suas portas!

A equipe de socorro ficou no heliporto da Câmara dos Vereadores de São Paulo. Era bem cedo quando a Ambulância do Hospital Carmini Caricchio deixou sua equipe. Nesse Hospital eu atuava como Enfermeira de Pronto Socorro. O tempo não apagou todas as lembranças dolorosas, mas um sentimento de alívio por ter feito o meu melhor que pude fazer e ter contribuído no salvamento de muitas vidas, vem me confortando até os dias de hoje!

O tempo não cura a dor, apenas, ameniza e tira – a do foco. Que bom, o ser humano poder ser assim!!!

Deixo aqui expresso minhas condolências aos familiares das vítimas que não resistiram e partiram para outra vida! Que todos descansem em paz!

Relato de profissionais que também estiveram presentes: 30/01/2014 “10h06 – Atualizado em 30/01/2014 10h06

Incêndio no Edifício Joelma, onde mais de 180 morreram.

No dia 1º de fevereiro de 1974, em uma manhã chuvosa de sexta-feira, um curto-circuito em um ar condicionado deu início a um dos maiores incêndios da história de São Paulo, o do Edifício Joelma. Em poucos minutos, as chamas se espalharam pelas salas e escritórios. Mais de 180 pessoas morreram queimadas ou asfixiadas e outras 300 ficaram feridas.

O prédio não tinha segurança contra o fogo e faltou equipamento aos bombeiros. “Até hoje eu lembro claramente da situação ali na Praça das Bandeiras. Lembro do desespero dos bombeiros.

Eram profissionais preparados, mas não para um acidente nessa dimensão”, diz o jornalista Sérgio Motta Mello.

O repórter cinematográfico Reynaldo Cabrera cobriu a tragédia. “Quando eu bati os olhos na fumaça, antes de ver o edifício, eu falei para o meu assistente: ‘Jorginho, liga para lá e fala para mandarem até os faxineiros, porque esse aí é para ficar na história’”, contou o cinegrafista em 2000.

O coronel da Polícia Militar Roberto Lemes participou do resgate. Ele explica que as ligações do ar condicionado passavam embaixo dos forros, que era de material combustível. “O calor irradiado, para se ter uma ideia, atinge 700ºC, derrete o vidro, funde o alumínio”. A maioria das pessoas que chegaram em cima do telhado queria respirar. E, ao tentar respirar, chegavam próximo da mureta e olhavam para baixo…”

Extraído da UOL –notícias..

Helena Raimundo
www.helenacoach.com.br
INTERFACES DA RESILIÊNCIA PARA A SAÚDE HUMANA

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

1 O Ponto de Mutação – Capra, F cultrix1982
2 A vida Emocional do Enfermeiro – Diogo, P Coimbra Formasceus 2006
3 Inteligência Emocional – Daniel Goleman
4 Desperte seu Gigante Interior – Anthony Robbins 2014
5 O Poder do Hábito – Charles Duhiigg 2012
6 Novas Conferencias Introdutórias sobre Psicanálise e outros Trabalho – Freud 1939
7 Marinaldo M. Guedes Coach – Artigos na Sociedade Brasileira de Coaching

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